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sábado, 4 de agosto de 2012

Amores

Ah, a amizade. Ah, os romances de verão. Ah, o amor. Tudo aparenta ser de uma beleza incomum e sem igual. Tudo parece ser como num romance premiado dos cinemas ou da literatura. Mas não. A vida real se difere – e muito – das telonas e das letras miúdas dos best-sellers que falem sobre amor.

Tudo começa com o primeiro contato. O primeiro contato visual. Amor à primeira vista, em alguns casos. Almas gêmeas separadas por um olhar. Irmãos separados pelo destino. Poetas apaixonados separados por ironias das linhas tortas da vida. Tanto faz. Não importa. Depois do primeiro contato, tudo fica mais lindo, mais nauseante e mais complicado.

E aí então, surgem conversas. Palavras vão, frases vêm, surge um sentimento. Seu nome? Amor. De amigo, de namorado. Amor de amado. Amor que vem lá do canto mais abandonado do seu coração. Amor proveniente do mais fundo buraco negro da sua mente. Seja lá o que for. Amor.

Chegará uma hora que você será regido pelo amor. Ele tomará conta da sua vida, influenciará sua vida, mudará seu destino. Não, você não vai mais poder controlar o amor. Ele tomou as rédeas da sua vida e não há nada mais que você possa fazer para reassumir o controle do seu destino. Você ficará irracional. Um ser pensante que não mais pensará. O amor vai mudar a sua vida.

E chegará também uma das piores horas depois de ter conhecido o amor. Chegará o doloroso momento em que você irá se ferir pela primeira vez. Ciúmes, traições, mentiras, desconfiança. Tudo o que há de pior nesse mundo brota dos quatro cantos do inferno para tentar estragar esse amor. Ora, e isso não deveria ser bom? Esse amor estragar não seria a melhor coisa que nos poderia acontecer? Não haveria mais sofrimento! O amor se esgotaria! Óh, que maravilha!

Não. Cortar o amor não seria a solução. Somos seres irracionais amando, isso é verdade. Mas é ruim com ele e pior ainda sem. O humano é tão idiota a ponto de ser dependente de amor para viver. Infelizmente, isso é até comprovado. Ser humano, ser social, ser que pede para sofrer.

E os amores que te fazem sofrer? Ah, são casos à parte, mas infelizmente nada raros. O ser humano não é perfeito, e convenhamos que todos nós sabemos disso. Inclusive porque somos seres imperfeitos também. A solução? Depende. Depende do caso, sim senhor. Não há uma regra geral para isso. É só uma questão de pensar um pouco, aproveitando que o amor não está mais te dominando tanto. Quem ama cuida, preserva, perdoa. É claro que há nessa vida fatos imperdoáveis. Feridas incuráveis, marcas eternas. Mas o amor é o melhor remédio: ele cura tudo e, ao invés de diminuir a caixa a cada cápsula, aumenta a cada gesto positivo.

Não seja ódio. Seja amor. Por mais que doa. Por mais que você não consiga mais pensar depois. Por mais que possa parecer fútil. Acredite, o amor não é fútil. O amor é a essência da vida. O amor é tudo. Menos amável.

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