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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Vidas paralelas

Era apenas uma garota. Ela saiu para o mundo sem experiência alguma. Inocente, sem esperteza. Não demorou para que os perigos se manifestassem. Um dia caiu na tentação de provar algo diferente. Viver novas aventuras. Ela só queria uma experiência distinta. Acabou perdida num mundo de maldade e esperteza.

Era um cara comum. Só era mal interpretado. Ninguém lhe dava bola. Ele podia descobrir a cura do câncer, ganhar um Nobel. Mas ninguém o ouvia. Todos lhe diziam não. Não, não, não. Podia ter feito muito. Mas os seus semelhantes não queriam saber de descoberta alguma. Acabou perdido num mundo cruel e egocêntrico.

Ele a completava. Ela o completava. Mas nem chegaram a se cruzar. O mundo quis que suas vidas fossem amargas na terra.

Ela viveu nas esquinas da cidade, oferecendo seu corpo como sustento de vida, sempre com seu cigarro na boca e uma garrafa de cerveja na mão.

Ele viveu nas calçadas e nos sinaleiros da cidade, fazendo o drama clichê dos pedintes. O que ganhava dava pra pagar um pão por dia, um litro de pinga e as drogas diárias.

Não, não foi dessa vez.

Incrivelmente, faleceram no mesmo dia.

Mais incrivelmente ainda, tiveram outra chance, em outra vida.

Ela nasceu numa mansão londrina. Tinha tantas roupas quanto estrelas no céu. Tantas chances quanto areias na praia.

Ele nasceu num charmoso chateau parisiense. Tinha as oportunidades que antes foram desperdiçadas. Tinha o mundo inteiro às suas mãos.

Se encontraram um dia sem querer, ele um cineasta, ela uma grande estrela da música. Se casaram dois anos depois. Tiveram uma vida que nunca ninguém sonhou que fosse possível. Ajudaram todo mundo. Descobriram grandes coisas.

Riram dos pequenos fatos cotidianos. Iam todo mês nos bateaux-mouches do Sena. Pelo menos uma vez por semestre visitavam o London Eye. Viajavam pelo mundo pelo menos uma vez por mês. Amavam o Cristo Redentor e a Estátua da Liberdade.

Tiveram duas crianças. Um casal de gêmeos. Um ano depois, faliram. Oito anos depois, faleceram.

Os filhos? Um belo garoto e uma linda garota, ambos de olhos azuis-esverdeados e cabelos castanho-escuro levemente cacheados.

Ela acabou perdida num mundo de maldade e esperteza. Ele, perdido num mundo cruel e egocêntrico...

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