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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Devaneios sobre a lucidez

Eis que avisto
na praça, a andar
um pensante pedinte
que colhia segredos
e plantava conselhos.

"Será", perguntei,
"que é um gênio
disfarçado em camadas
de panos imundos
e odores?"

Talvez fosse
e talvez não;
o lado bom da vida
são seus mistérios
e implicações.

Como pode um pedinte
ser um homem brilhante
que dispensa
todo o luxo
(fútil!)?

Como pode um poderoso
ser um idiota respeitado
que não respeita
o bom senso
e só pensa em adição?

Ora, dos sábios
os que mais sabem
são os mais loucos,
e os lúcidos
nada entendem.

Ora, o que é um gênio
se não um poeta
com uma dose de whiskey
recitando Poe
e delirando?

E o que é, afinal
um louco
se não um gênio
que a sociedade apenas
desentendeu?

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