Quero que me aceites como sou, Carolina, e não do jeito que me queres. Se me desejas, Carolina, terás minha essência, e não tua escultura.
Ah, Carolina, bem me lembro de quando corríamos, inocentes, pelos verdes pastos dessa vida que hoje resolveu nos pregar tal peça. Tamanha foi minha surpresa, tamanho meu espanto, que sequer pude proibir a rebelde lágrima de se manifestar a favor do meu cérebro que, meio morto, marchou em favor do coração.
Ah, mas Carolina, o que fizeste não existe tempo que cure nem coração que perdoe! Tuas feridas ainda não cicatrizaram: eis aqui o buraco negro que deixaste no lado esquerdo do meu peito!
Não, Carolina, não há mal algum em querer perdão - mas sim em insistir no mesmo erro e ainda implorar amor. No entanto, amada Carolina, quisera eu não amar alguém como ainda te amo! Quisera eu beber das poções usadas por aquelas que foram, sem pudor, condenadas! Quisera eu, Carolina, que teu retorno não acontecesse tão cedo.
Sai, Carolina! Expulso-te agora da minha vida, mas te garanto estadia no meu coração que, carente, suplica ainda pelos teus pés. Mas eu, Carolina... eu não te quero de jeito algum.
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