Pages

quarta-feira, 26 de março de 2014

Desabafo da argila

Moldam-me, esculpem-me... E olha em que me transformo: algo que não quero ser! Não entendem que nasci para trilhar meu rumo? Por que insistem em fazê-lo por mim?

Sinto-me mal, como se eu não tivesse capacidade de escolha... Subestimam-me! Pensam que não tenho maturidade ou sabedoria para escolher, mas se esquecem que qualquer decisão que faço é de responsabilidade exclusivamente minha!

Não, não quero ser um vaso que enfeite a sala de estar, logo acima da lareira! Sou muito mais que vaso: sou vida! Não estou aqui para ter uma vida de aparências, não nasci para ser olhado e pensarem que está tudo bem.

Um vaso fica jogado, pega poeira, decora e é jogado fora quando não convém mais. Ou quebra, com qualquer descuido. Ah, não. Não sou um vaso mesmo! Sou muito mais complexo que um vaso!

Sou intensidade! Sou energia! Não consigo ficar parado olhando o mundo girar e a vida passar. Preciso me mexer! Preciso agir! Quero mudar tudo ao meu redor e ao redor de todos os vasos do mundo - quiçá o mundo inteiro!

Ah, se pudessem ouvir-me falar, tudo seria tão mais fácil... Mas alguém ouve uma argila a mais num mundo de  vasos politicamente corretos e estereotipicamente perfeitos?

Nenhum comentário:

Postar um comentário