- qual é teu nome?
eu perguntei.
- se eu tenho, não sei.
ele respondeu.
- tu és criança. não devias estar na rua a estas horas.
repreendi.
- por suposto, onde devia estar? em casa? pois estou.
e fitou as luzes da cidade.
engoli em seco.
- e teus pais?
perguntei, temendo a resposta.
- mataram minha mãe. de meu pai, ninguém sabe.
olhou para lugar algum.
- e de que morreu tua mãe?
perguntei, receoso.
- de aborto.
respondeu, olhando as estrelas.
- e não tens ninguém mais?
já esperava a negativa.
- tive umas três famílias. todas se foram. ou quem se foi fui eu.
vi uma lágrima caindo - mais minha que dele.
- que a noite te proteja, meu rapaz.
e continuei andando.
dei dois passos.
um carro passa.
a buzina grita.
o freio pia.
o estrondo estoura.
o sangue jorra.
o céu ganha uma estrela.
o mundo continua o mesmo.
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