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domingo, 26 de outubro de 2014

Das Eleições 2014 (ou: Um discurso para o povo brasileiro pensar um pouco)

Dilma Rousseff (PT), presidente reeleita do Brasil. Foto: Globo.com / Reprodução

A República Federativa do Brasil ganhou hoje, 26/10/2014, uma definição de seus próximos quatro anos. Mais de 54 milhões de brasileiros optaram pela reeleição de Dilma Vana Rousseff como Presidente da República, enquanto o candidato Aécio Neves da Cunha recebeu mais de 51 milhões de votos.
Eu gostaria de frisar algumas coisas, porque é insuportável o jeito com que algumas pessoas acreditam em tudo o que leem.
Primeiro: como eu disse anteriormente, Dilma ganhou as eleições por ter recebido o voto de mais de 54 milhões de brasileiros. Isso significa cerca de 51% dos votos válidos, ou seja, considera-se isso como a maioria. Não se trata, portanto, a vitória de regiões ou estados. Trata-se de uma vitória eleitoral brasileira, que, cumprindo a democracia, nomeia presidente a candidata que recebeu mais votos que o outro candidato. Nada novo até aqui, suponho. Mas qual a dificuldade de entender que todos que votaram na candidata do PT são brasileiros? Sul, sudeste, centro-oeste, norte e nordeste, todas as regiões do Brasil apresentaram votos a ela, assim como ao candidato do PSDB. Qual a dificuldade de entender-se isso? Qual a necessidade de praticar xenofobia? Tem gente - muita gente, e é o que assusta - falando em movimentos separatistas. Por quê? Não termino este parágrafo com uma resposta a tudo isso. Termino repetindo estas palavras da Constituição:
"Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
I - a soberania;
II - a cidadania
III - a dignidade da pessoa humana;
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
V - o pluralismo político.
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição."
Em segundo lugar, deixo um apelo que é primeiramente a quem NÃO votou na Dilma mas não menos importante a quem votou nela: FISCALIZEM! Não fiquem calados! Denunciem todas as irregularidades! Mas pesquisem, e, acima de tudo, não se deixem enganar pela mídia golpista e parcial. O Governo é transparente e, por isso, é possível a todo cidadão brasileiro com acesso a internet a fiscalização de tudo que acontece em Brasília, na capital do seu estado e também na sua cidade. Isso é um direito seu conquistado através de anos de luta do povo brasileiro.
Em terceiro lugar, não votamos apenas para presidente e é por isso que Dilma não governa sozinha. Ela governa com mais gente que o povo escolheu. Deputados federais, estaduais e distritais, senadores, governadores, vereadores e prefeitos. E é por isso que ela NÃO É a única responsável pelo que acontece no Brasil. Você sabia que quem controla o preço do passe do ônibus é o governo municipal? Você sabia que quem controla o ensino nas escolas estaduais é -ora, que irônico- o governo estadual, nas municipais o municipal e nas federais o federal? Como eu disse, é preciso pesquisar antes de sair falando qualquer coisa que se ouve.
Parabéns para quem votou na Dilma - mas reitero meu pedido para que estas pessoas não fechem os olhos. A quem votou branco, nulo ou Aécio, reitero também: façam que suas vozes sejam ouvidas! A nova política que foi tão citada nestas corridas eleitorais se faz com a participação do povo - previsto na Constituição. Protestou nas urnas? Que bom - o voto é a sua melhor arma! Mas que seus ideais não sejam só de quatro em quatro anos. Protestou nas ruas? Continua protestando contra o que você não acha justo. Não protestou, mas reclama? O Brasil não vai mudar sozinho. Acha que não adianta protestar? Hoje você só tem o direito ao voto e à liberdade - entre tantos outros - devido a muitos protestos. A luta pela mudança é árdua, pode tardar, mas não falha.
Brasil: um país ideal é o país do seu povo.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Dos sofrimentos diários do poeta

A principal qualidade do poeta é o amor ao qual ele se entrega. O seu pior defeito, entretanto, é - oras, vejam só a ironia! - o fato de amar demais.

E, por amar demais, se expressa demais, sofre demais, sente demais. E, por sentir demais, escreve demais e suas lágrimas viram palavras.

Que vida ingrata esta de poeta! Qualquer um lê suas lágrimas e sente-se no direito de julgá-la como de boa ou ruim qualidade.

Que vida ingrata esta de poeta! Qualquer professor coloca suas lágrimas numa avaliação e pergunta aos alunos o significado delas.

Ô professor, deixa o poeta em paz!

Ô crítico, preocupa-te com teu próprio sentimento!

Ô amor, dá uma chance ao pobre que só queria usar-te sem abusar-te!

sábado, 8 de março de 2014

Artezinha

Que mania essa desses que se acham entendidos em arte! Toda obra é encaixada em algum estilo, escola, estrutura. E fazem assim da arte, que devia ser um manifesto único, objeto padrão.

Ora, e se eu quiser escrever hoje
mEiO aSsIm...!?&
fora de um padrao
sem acento
ou pontuacao

Parem de julgar a arte! Proíbo que critiquem-me a partir de agora: permito apenas que sintam-me.

E se a arte em questão não puder ser sentida, sintam o nada! Porque até o nada é arte.

E, aliás, o que não é arte?

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Santa Maria!

É tão fácil falar, lamentar. É tão fácil fingir que sente muito. É tão fácil falar que sabe como o outro se sente. É tudo tão fácil quando não é com a gente que acontece.

Não, não é tão fácil quanto se supõe. Só quem vive, sabe. Só quem é, é. Virar a moeda, estar do outro lado... é isso que é preciso fazer. Não basta estar arrependido quando o pior já passou. Arrependimento não volta no tempo. Arrependimento não ressuscita.

Jovens. Vida longa e provavelmente próspera pela frente. Sonhos, planos, aspirações. Seu presente e seu futuro seriam promissores, sim. Seriam. Acontece que uma tragédia tirou de dezenas de jovens tudo isso. Seu presente virou fogo e seu futuro virou cinzas.

E agora, depois que aconteceu o que aconteceu, lá está a polícia, a imprensa, o povo. Todo mundo metendo o dedo, apontando culpados. Será que adianta? Quero dizer, já diziam os mais velhos que melhor é prevenir antes de remediar.

Remediar adianta, sim. É prevenção pro futuro. Mas não remedia o passado...

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Reflexões negras de uma vida cinza


Há uma nuvem cinza ao meu redor
E me sinto como uma estática escultura.
Em toda vida nunca tive sensação pior
O ar que me dava vida, agora tortura.

De todas as lições que a vida me ensinou,
Acho que a maior foi sobre as pessoas.
“Elas são más”, essa vida explicou,
“Ou te cuidas ou te magoas”.

Em meus olhos a vida vai passando,
Um flashback sem nexo algum.
Minha vista, cada vez mais, embaçando
Sentido? Ainda não encontrei nenhum.

Minha mente estranha cada passo,
E me sinto eterno estrangeiro.
O meu destino já não mais traço:
Ele se despedaça por inteiro.

Fico aqui sem qualquer reação.
O tempo voa, mas não sei o que fazer.
Sem saber quem tem a razão,
Refletindo sobre a razão de viver.

E me perco então na mente profunda,
Num lado negro da minha mente.
Ela diz “Óh, vida, tu és uma vagabunda!”
E manda isso ao meu subconsciente.